A linguagem apresenta duas propriedades evidentes: (1) a referência, quando se trata das coisas e dos fatos; (2) a capacidade de construir visões de mundo. Em seus estudos, Jean-Marie Floch deduz, ainda, outras duas propriedades: a (3) função oblíqua, ao se questionar a referência direta entre palavras e coisas ou entre discursos e fatos; e a (4) função substancial se, por meio da materialidade das coisas, problematiza-se, dessa vez, a função construtiva. Isso posto, valendo-me desse modelo, encaminho, em A significação musical – lançado em 2015 –, propostas de análise das relações entre as semióticas verbais e musicais; partindo da música de programa – (1) a música como referência – e da música pura – (2) a música como construção –, verifica-se como, nas vanguardas musicais, exploram-se outros dois regimes musicais, pautados pela ora pela obliquidade ora pela substancialidade.